| Gênio Ingênuo |
|---|
| Enviado em Fri 04 Jul 2008 por ADEFA (118 leituras) |
![]() "Aprendi que o convívio com meu filho, me fez crescer como pessoa" Sou mãe de três filhos, 21, 18 e 3 anos. Aprendi muito, convivendo com esses seres táo distintos. Mas quero falar aqui, de Felipe. Ele chegou, quando eu tinha 21 anos. Após ser mãe de um garoto hiperativo, considerei que ganhei um grande presente do céu quando meu bebê chegou. Além de muito bonito, olhos expressivos, era totalmente calmo, jamais reclamava de algo, somente em casos extremos, como alguma dor. Fome parecia não lhe incomodar, pois nunca pedia algo para comer. Então eu costumava dizer que era meu "anjinho" enviado do céu. Essa calmaria durou até seus 11 meses de vida. Quando as crises convulsivas chegaram. De calmo, meu filho passou a querer subir pelas paredes. Isso tudo, com muita medicação para controle de convulsões, o que era uma constante, quase toda semana. Felipe foi se desenvolvendo bem, montava quebra-cabeças de mais de 50 peças com apenas 3 anos, mas ainda não falava. Gostava de brincar e observar objetos em movimento. Ficava assim entertido por horas, se a gente deixasse. Então, com 3,5 anos iniciamos fonoaudiologia, em seguida começamos a entender o que nosso garotinho queria dizer. Para nossa surpresa começou também a ler, rapidamente. Percebi isso em suas brincadeiras com jogos pedagógicos. O tempo foi passando, apesar de meu filho não conseguir distinguir um rosto triste, tinha grande localização espacial e grande habilidade para matemática. Nunca tivemos um diagnóstico a seu respeito. Somente tratávamos e sabíamos que tinha distúrbio de comportamento. Os profissionais que o acompanharam, apesar de ótima condução, nunca admitiram o autismo. Quand meu filho fez 16 anos eu resolvi correr atrás. Mergulhei na internet em busca de respostas. Foi quando me deparei com a síndrome de asperger. Tudo se fechava, tudo que eu lia via em meu filho, mesmo tipo de comportamento, mesmas caraterísticas. Voltei a procurar a equipe de saúde e somente aí admitiram que Felipe era um asperger. O rótulo não é importante? Logicamente que não, em alguns aspectos, mas me senti com uma medicação na mão sem poder ler a bula. Felipe hoje, é superdotado em matemática, porém seu déficit é na área do abstrato, prejudicando muito a interpretação e a redação. Sonha em ser cientista matemático. Prestará vestibular no final do ano, na Universidade Federal de Santa Catarina. Pois o curso que alm eja somente lá existe, nessa região. matemática computacional. Infelizmente, a inclusão de um asperger na universidade pública não existe. Somente no papel essa inclusão existe. Universidade para todos? Isso é irreal. Hoje investem muito no deficiente físico, não no mental. A verdadeira inclusão de meu filho seria um vestibular vocacionado, o que o estado não tem. Vestibular está chegando... Chance de passar?? Somente um milagre. Creio que aconteça sim, sou cristã. Mas Inclusão Universitária para um asperger é coisa rara. Minha preocupação maior é que esse talento já comprovado, seja enterrado pelas regras do MEC e que o autismo venha a tomar conta de meu filho. O que acabará segregando-o entre quatro paredes. Infelizmente, aqui no Brasil, muitos talentos são desperdiçados pelas regras sociais. Mas nós venceremos, ele e eu, e certamente meu filho será o que almeja ser profissionalmente. |
| Índice :: Imprimir :: Enviar a um Amigo |
Os comentários são de propriedade de quem os enviou. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.
| Enviado por | Tópico |
|---|
