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Pesquisas - Valeria Claps imag1
Valeria Claps
  Enviado em Wed 21 Oct 2009 por ADEFA (54 leituras)
Este quote acima é exatamente como eu me coloco nesta jornada, aprendendo como lidar com os altos e baixos deste transtorno mental, AUTISMO.

A minha historia com o autismo começou mais ou menos ha dois anos. Nos morávamos nos EUA , Houston- Texas. Meu marido, que é Americano, recebeu uma proposta de um trabalho temporário em um projeto da empresa dele com a Shell.
Começamos a mudança no final de 2006. Pisamos na terrinha em Dezembro de 2006 , em um calor infernal com malas e tudo mais.
Apos algumas semanas, eu comecei a notar que nosso filhinho, Gabriel , que na epoca ainda não tinha três anos, estava com um comportamento atípico para a idade dele. Ele reagia com birras quando tinhamos que fazer alguma transição, coisas pequenas como: escovar os dentes, tomar banho, se vestir, colocar os sapatos e por ai vai. Sem falar que quando tinhamos que voltar para casa depois de algumas atividades, era mais sério, ele gritava, se jogava no chão e chorava como nunca. E também, ele não deixava ninguém da minha familia abraçá-lo ou beijá-lo, ele gritava e saia correndo protestando. E o que mais me chamava atenção nos sintomas foi o atraso na fala, ele não estava fazendo comunicação nem em inglês e nem em português, como também , ainda estava usando fraldas.
O tempo foi passando e eu notei que ele fugia das outras crianças no parquinho, não queria contato algum, ele só ficava comigo ou com o pai.
Ele começou o ano letivo em uma escola bilingue na Barra da Tijuca, outra mudança radical na vida dele. Crianças que falavam o portugues 99% do tempo, que para ele foi um desastre. Nós jamais imaginamos que outro idioma pudesse confundi-lo mais do que ele ja estava. Na escola, a professora me dizia coisas negativas sobre ele, comparando-o com as outras crianças. O que mais me deixou triste foi que era uma escola com a reputação ótima, mas parecia não estar sabendo lidar com o nosso pequeno. E com isto, o tempo foi passando e mais relatórios negativos sobre o progresso escolar dele. A escola não mencionava nada que pudessemos ter uma ideia do que estava acontecendo. Então, eu resolvi procurar, por conta propria, uma psicoterapeuta infantil. A terapeuta fez uma avaliação inicial e confirmou um atraso, mas não mencionou nada sobre autismo. Ela começou a trabalhar com ele as emoções e como expressa-las. E para ainda aumentar a nossa preocupação, a saúde dele estava pessima, ele começou ter infecções e chegou a faltar a escola por 30 dias. O pediatra so receitava antibioticos e a alergista só remédios e mais remédios, mas ele não melhorava. Entao eu resolvi leva-lo ao um medico homeopata, que na epoca o meu marido teve um ataque. Ele não aceitava homeopatia, mas eu levei o Gabriel mesmo assim. Foi a melhor coisa que eu fiz. O Gabriel começou a melhorar das alergias. Ele ficava doente, mas não ficava prostrado como antes. Então , após cinco meses com a psicoterapia, a terapeuta recomendou que nós procurássemos uma fonoaudiologa. Nos fizemos logo, e ele começou o tratamento com a fono duas vezes por semana, mas em portugues e não em ingles. Depois que ele iniciou o tratamento com a fono, nós conseguimos tirar as fraldas e ele começou comunicar mais as necessidades do dia a dia como coisas simples: quero água, estou com fome, quero suco, e por ai vai.
No ano seguinte, 2008, a escola nos comunicou que ele repetiria o mesmo nivel no qual ele estava fazendo no ano anterior devido a imaturidade. Nós o mantivemos na mesma escola, na certeza de que ele faria progressos. E nas ferias de verão, ele iniciou uma outra atividade em um local chamado Playgym. Este local trabalha com psicomotricidade e socialização, onde eles formam um grupo de no maximo 4 ou 5 crianças, deixando com que as crianças façam a interação, lidando com os limites do outro, espaço, esperar a vez sempre usando o ludico. O Gabriel progrediu muito mais nesta atividade do que na propria escola .
O ano letivo iniciou, e ele ja estava mais familiarizado com as pessoas e com a rotina, mas progressos nada. Então, eu resolvi marcar uma consulta com uma neurologista infantil. A medica iniciou os testes e no final ela nos deu o diagnóstico, que caiu como uma bomba em nossas vidas: “Gabriel apresenta um transtorno mental que está dentro do espectro autista chamado Transtorno Invasivo de Denvolvimento, que nos EUA e chamado de PDD-NOS . Este transtorno é o rabo do autismo, e ele é bem mais funcional do que o autista por si só. E se voces tem a oportunidade de voltar para os EUA, voltem, pois aqui no Brasil não tem quase nenhum recurso para as crianças com esta condição, não tem escolas apropriadas, ou mesmo serviços.”.
Saímos do consultório ... sem muitas palavras. Meu marido calado e eu tentando falar algo um pouco mais positivo como: ele vai estar bem!!
Naquela noite, nós choramos internamente. E eu me perguntei: por que isto está acontecendo com o nosso filhinho? Ele foi tão desejado ... tão esperado... por que???
Mas com a determinação de voltar para EUA , fomos para internet e começamos a coletar informações, pesquisas, estudos sobre autismo, como também escolas e tratamentos disponiveis nos EUA. Daquele dia para frente, começamos a nos educar sobre o AUTISMO E SEUS TRANSTORNOS.
Depois de duas semanas desta noite sem fim, estavamos no avião para Houston- Texas. Esta viagem foi para comprar casa, fazer a matricula dele em uma escola especial e procurar um pediatra que trabalhasse com o desenvolvimento infantil e fazer todo o planejamento da mudança. Nós fizemos tudo mais planejado e tranquilo possivel, para que Gabriel não sentisse muito esta nova transição.
Voltando para os EUA, o Gabriel iniciou em uma escola especial que trabalha somente com autistas em um programa chamado Rotação. Este programa foca examente as areas de dificuldades das crianças no espectro. Para cada area tinha duas professoras, com no máximo cinco alunos em cada turminha. As areas são: habilidades de Socialização, linguagem, acadêmica e coordenação motora. Gabriel adorou a escola e estava bem confortavel naquele ambiente. Mas, o nosso objetivo , era fazer a inclusão dele na escola publica, pois e o ambiente menos restritivo para as crianças no espectro. Enquanto ele estava na escolinha pequena , começamos o processo de inclusão na escola publica.
O processo começou com uma triagem inicial com todos os diagnósticos trazidos do Brasil. Após esta triagem, que demorou tres meses, Gabriel foi chamado para uma avaliação com um grupo de profissionais na area de educação especial.
O grupo é composto de psicologas, fonoaudiologas e professoras. Depois desta avaliação, Gabriel foi qualificado para iniciar um programa da pre-escola para crianças com necessidades especiais. E em fevereiro de 2009 ele começou este programa na parte da tarde e a escolinha especial na parte da manha. Em um mês neste pré-escolar da escola publica, Gabriel começou a escrever o nome, meses do ano, números e nomes de animais. E a linguagem deu um salto. Então, a escola publica começou a introduzir Gabriel em uma turminha de pre-escolar, com crianças neurotipicas, todos os dias da semana por uma hora. Então eu observei que Gabriel começou a progredir como nunca. Ele precisava ter a experiencias com outras crianças fora do espectro para começar a se espelhar neles. Foi a melhor coisa que pudemos fazer. Sem falar que na area social, ele ja estava fazendo elo com alguns amiguinhos. E também, juntamente com as escolas, nós iniciamos a intervenção biomédica , com suplementos e a dieta sem glúten e sem caseína. Gabriel terminou o ano letivo em junho de 2009 e teve a formatura com uma pequena cerimonia, com beca e tudo, e ele conseguiu subir um degrau, passando para o Jardim de Infancia. Foi uma felicidade só!! Eu penso que nós pais de crianças especiais, vibramos muito mais com as conquistas dos nossos filhos. São momentos em que vivemos intensamente com eles quando eles conseguem vencer um desafio.
Nossa experiencia não para por aqui, sabemos que é um caminho longo e temos que preparar o Gabriel para enfrentar esses caminhos com alguns quebra-molas. O futuro nos assombra, sabemos que nós não iremos estar aqui para sempre, e isto nos faz buscar forças para fazer ainda mais por ele. Todos os dias eu peço a Deus que me de muita saúde, pois ele ainda ira precisar muito da minha ajuda.
Queremos que o Gabriel seja independente e lucido e capaz de decidir por ele mesmo quando se deparar com as dificuldades da vida.
Temos muita confiança nele, sabemos que ele ira vencer como ja esta vencendo, e isto não tem preço.
A todos que estão lendo este depoimento, a mensagem é: NUNCA desista de lutar pelo seu filho ou sua filha. O caminho é longo e as vezes tortuoso, mas mantenha o folego e continue a caminhada com muita confiança, dedicação e o mais importante com MUITO AMOR!!

Que Deus abençoe a todos!

Valeria C. Claps (mãe guerreira)
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