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Pesquisas - Autismo não está só na cabeça - Revista Magazine imag1
Autismo não está só na cabeça - Revista Magazine
  Enviado em Fri 04 Jul 2008 por ADEFA (629 leituras)
Extensa Matéria de capa, de Jill Neimark, da Revista DISCOVER - edição de abril de 2007

Autismo não está só na cabeça

Os devastadores desarranjos do autismo tb são percebidos nos sistemas gastro e imune. Essa descoberta inesperada está trazendo novos tratamentos q tratam do corpo junto com o cérebro
...A condição do autismo, tradicionalmente vista como genética e originária no cérebro, está começando a ser vista de um foco completamente diferente, como uma possível desordem imune e neuroinflamatória...

... Podemos listar alguns insights revolucionários.

1º Autismo pode não ser herdado rigidamente, mas ao invés disso, pode estar relacionado a variações comuns dos genes, chamados de polimorfismos, q podem ser acionados por fatores ambientais. 2º Os genes afetados podem desarranjar ligações fundamentais no corpo e levar a uma inflamação crônica do cérebro, sistema imune e sistema digestivo. 3º Inflamação é tratável. "Embora durante tantos anos falando-se q uma desordem do cérebro como essa não é tratável, nós estamos ajudando crianças a ficarem melhores. Então isso não pode ser só genético, prenatal, invasivo e sem esperanças", diz a neuro-pediatra de Harvard Martha Herbert, autora de um documento de 14000 palavras no Jornal de neuropsiquiatria q reconceitualiza o universo do autismo, tirando o cérebro do lugar privilegiado q o colocaram como um orgão isolado do resto do corpo...." Eu não vejo mais o autismo como uma desordem do cérebro, mas uma desordem q afeta o cérebro", diz Martha Herbert...

Quando o psiquiatra Leo Kanner identificou o autismo em 1943, na Universidade de John Ropkins, ele disse q eram casos raros e baseou seus estudos em apenas 11 pacientes, embora tivesse examinado um total de 150 pacientes. Mesmo nesse grupo peqno, outros sintomas menos visíveis eram evidentes. No seu documento de 1943, "Distúrbios Autísticos de contato afetivo" Kanner notou problemas digestivos e imunes, mas não incluiu-os no seu diagnóstico. Podemos ler em vários casos relatados
"... amígdalas grds e disformes... ela era alimentada por tubos 5 vzs ao dia... ele vomitava toda a comida desde o nascimento até os 3 meses... ele sofreu de repetidas gripes e otites médias..."

Herbert acredita q a peça chave ligando os sintomas comportamentais óbvios ao mais básicos, mas não menos óbvios sintomas biológicos, foi deixada pra trás.

" O q eu acredito q esteja acontecendo é q os genes e o ambiente interagem, tanto num feto quanto numa criança pqna, mudando a função celular em todo o corpo, q depois afetam os tecidos e o metabolismo de orgãos vulneráveis. E é a interação dessa coleção de problemas q leva a alteração do processo sensorial e prejudica a coordenação do cérebro. Um cérebro com esses tipos de problemas, produz os comportamentos anormais q chamamos autismo".

Herbert diz q cada criança q passa pelo autismo é distinta, mas elas podem dividir anormalidades inflamatórias comuns. Ela mostrou q através de imagens morfométricas do cérebro, q a massa branca - a área q carrega os impulsos entre os neurônios - é maior em crianças com autismo.

"Isso foi absolutamente a mais significativa peça q encontrei em todos os dados cerebrais q estudei". " As pessoas me diziam, não olhe pra massa branca, olhe p/ o córtex cerebral, mas eu sabia q nós tínhamos um achado importante".

Poderia a massa branca estar cronicamente inflamada? Pode ser q sim, de acordo com a nova pesquisa de Carlo Pardo, um neurologista da John Hopkins. Em 2005 num estudo pros Anais de Neurologia, ele encontrou inflamação nas células cerebrais de responsabilidade imune de pacientes autistas. " Pacientes com autismo reportam mts problemas imunológicos. Nós procuramos no cérebro o motivo pra esses problemas", diz Pardo. " Nós pegamos tecido cerebral de pacientes autistas dos 5 anos até os 45 e nós encontramos inflamação neurológica em todos eles.

Neuroglia é um grupo de células cerebrais q são importantes na responsabilidade imune do cérebro. Essa inflamação neurológica aparece acontecer tanto cedo quanto tardiamente durante o curso da desordem. Se isso acontece mais cedo, ela pode influenciar dramaticamente o desenvolvimento do cérebro.

Nós estamos mt excitados com essa pesquisa porq potencilaliza uma nova abordagem de tratamento, q seria regular a responsabilidade imune do cérebro". Para estudar essa abordagem, Pardo está colaborando com um estudo piloto fundado pelo NIH p/ testar a minociclina, uma droga anti-inflamatória e antibiótica, em crianças autistas. " Minociclina é um regulador mt seletivo da inflamação microglial". " Os neurologistas já a usam p/ a multi-esclerose e o parkinson."

" O q nós temos aqui é um quadro mais compreensivo das características do autismo," diz Herbert, "um quadro q inclui anormalidades no comportamento, no aprendizado, no sistema sensorial e motor, no sistema gastrointestinal, no sistema cerebral e no sistema endócrino. Esses são problemas comuns e eles não estão confinados apenas no cérebro. Eu não posso pensar nisso como uma coincidência nunca mais, q tantas crianças autistas tem uma história natal de tantas alergias a comida e ao ambiente, infecções no ouvido, eczemas ou diarréias crônicas."

Mas, existe fortes evidências de genes específicos vulneráveis ou como eles podem afetar o sistema imunológico, cerebral, gastrointestinal - e mais importante, nós temos alguma maneira racional ou uma abordagem de confiança q ajude a reparar o estrago?
A resposta é, provavelmente sim.

" Nós estamos começando a entender q a genética tem tudo haver com vulnerabilidade", diz o neurocientista Pat Levitt, diretor do Vanderbilt Kennedy Center p/ pesquisa e desenvolvimento humano. Levitt e seus colegas recentemente descobriram q uma variante comum de um gene chamado MET dobra o risco do autismo. O achado foi amplamente recebido como um novo parâmetro porq o Met modula o sistema nervoso, gastrointestinal e imune - o tipo de descoberta q vai de encontro com a nova visão do autismo.

" Todo mundo estava focando em genes q se expressam no cérebro," diz Levitt, " mas esse gene é importante pra reparar a função intestinal e imune. E isso é realmente intrigante porq um subgrupo de autistas tem problemas digestivos e imunes." Igualmente interessante, é q a variante deste gene ocorre em 47% da população - em outras palavras, esse é apenas um fator de contribuição, e provavelmente trabalha em conjunto com outros genes vulnerabilizados.

E finalmente, numa reviravolta q intriga os pesquisadores, a atividade do gene é afetada pelo q chamamos de stress oxidativo - o tipo de estrago q vemos com a esposição excessiva à toxinas. " Enquanto vamos estudando a vulnerabilidade de genes como esse," diz Levitt q espera testar essa variação em ratos p/ estudos, " nós talvez poderemos desenvolver intervenções específicas p/ as crianças."

Em outra pesquisa mt provocativa, Jill James, diretora do Laboratório Genômico - Metabólico do autismo no Instituto de Pesquisas do Hospital da Criança do Arkansas, descobriu q mts crianças autistas não produzem mt de um composto chamado glutationa, tanto quanto as neurotípicas produzem. Glutationa é o mais abundante antioxidante da célula, e é crucial p/ a remoção das toxinas. Se as células tem pouco antioxidante, elas experimentam um stress oxidativo, o qual é geralmente encontrado na inflamação crônica.

No seu mais recente estudo, publicado no Jornal americano de Medicina Genética, em 2006, James encontrou q variações genéticas comuns q suportam o ciclo da glutationa, podem estar associadas ao risco do autismo. Intrigantemente, este ciclo está ligado metabolicamente ao ciclo da metilação. A metilação é um processo bioquímico fundamental p/ ajudar a regular a expressão dos genes, a metilação anormal pode causar várias doenças. Esse ciclo providencia os precurssores p/ a glutationa, enfraquecimentos no ciclo da metilação tb podem levar ao stress oxidativo. " Isso é mt provocante", diz James. " Isso sugere q alguns comportamentos autísticos são manifestações neurológicas de um desarranjo metabólico/genético. Algumas dessas anormalidades nesses estudos já foram associadas à disfunções imunológicas e gastrointestinais.

A boa noticia é q o stress oxidativo em algumas crianças autistas pode ser tratado com intervenção nutricional direcionada. James e sua equipe pegaram 8 crianças q estavam tomando suplementos de nutrientes chaves p/ o ciclo da metilação - ácido fólico, trimetilglicina e metil B12 - e encontrou um aumento significativo nos marcos da síntese da glutationa e metilação. O próximo passo é medir se os sintomas melhoraram da mesma forma.

James e sua equipe acabaram de receber $2.4 milhões de dólares do NIH, parte desse dinheiro irá p/ as pesquisas de correlação entre comportamento, metabolismo e genes. " O q seria maravilhoso, seria se nós pudéssemos correlacionar as diferenças individuais no comportamento com anormalidades metabólicas específicas". Depois eles irão trabalhar com crianças entre 18 e 24 meses, faixa essa usualmente anterior de quando o autismo é diagnosticado. Isso pode ajudar a identificar as causas da doença, tanto quanto permitir uma intervenção precoce.

"Nós tb pretendemos estudar a disfunção mitocondrial", ela diz. " Desde q a mitocôndria é a fabricante de energia da célula, ela tb é o lugar onde a maioria dos radicais livres (Q desempenham um grd papel no stress oxidativo) são produzidos. Se a cadeia de transporte de eletrons está fraca e se vc não estiver fabricando ATP eficientemente, vc irá produzir mais radicais livres e diminuir a sua glutationa. Se esta hipótese estiver correta, nós podemos dar suplementos como coenzima Q10, magnésio e acetil-l-carnitina para ajudar a estabilizar a mitocôndria.

Agora isso é somente uma hipótese, mas esse é o risco da ciência. Vc dá o melhor de si, mostra os seus estudos e depois vc vê as respostas."
"É mt interessante de ver as anormalidades metabólicas direcionadas dessa forma," diz Issac Pessah, presidente da Biociência Mlecular e diretor do Centro da saúde ambiental e prevenção de doenças da criança da Universidade Davis da Califórnia. " Eu acho q o equilíbrio da glutationa nas crianças é potencialmente mt importante em termos de exposição ambiental tóxica".

Há um crescente senso comum de q a nossa indústria pesada e nosso ambiente quimicamente saturado - e a forma com q isso age nos genes vulneráveis de alguns indivíduos - pode ser o maior criminoso. Em dezembro de 2006, os pesquisadores de Harvard anunciaram no The Lancet q a indústria química pode estar destruindo o desenvolvimento de cérebro de crianças em todo o mundo. E em novembro de 2006 numa conferência no MIND Institute, tb na Universidade de Davis, Pessah uniu os experts para discutir sobre as implicações clínicas e o envolvimento toxicológico no autismo. Herbert diz q foi discutido o enorme nº de químicas no nosso ambiente e como nós sabemos tão pouco sobre os efeitos dessa exposição múltipla, crônica e em pqnas doses em desordens como o autismo. Talvez o grd nº de casos de autismo q temos visto atualmente, seja uma doença da nova geração.

Em outro estudo ambicioso, a Universidade de Colúmbia e o Instituto de Saúde Pública da Noruega vão seguir 100.000 mulheres grávidas por 72 meses, estudando as suas saúdes e genéticas e examinando tudo desde o sangue até a urina. A esperança é descobrir fatores ambientais q contribuem p/ o risco do autismo, da dieta ou infecção à toxinas como metais pesados, pesticidas e moléculas sintéticas dos produtos diários.

Outro grd estudo do NIH e EPA é descobrir imuno anormalidades q podem contribuir pro autismo. Em pesquisa com mais de 700 famílias com uma criança autista bem como com uma neurotípica, Pessah e sua equipe tem encontrado nas crianças autistas uma redução significativa nas imunoglobulinas e um perfil anormal de citokinas,
ambas criticas p/ a resposta imune. " O sistema imunológico está envolvido em importantes aspectos do neurodesenvolvimento", diz Pessah. " Nós encontramos a presença de anticorpos q nós achamos q podem influenciar as proteínas do cérebro. Nos próximos 5 anos, enquanto os estudos continuam, nós esperamos chegar a 1.600 famílias no total. Nós precisamos de tudo isso pra realmente ter forças estatisticamente. Nós esperamos encontrar q tipo de resposta imune a criança autista está inclinada e tentar isolar as exposições tóxicas."

Herbert argumenta q "nós devemos direcionar esses distúrbios dos ciclos (glutationa e metilação) agora, antes q essas mudanças passem a ter informações definitivas. Genes afinal de contas, não especificam comportamento. Eles produzem fatores q regulam e interagem de um modo bastante complexo. Nós podemos, pelo menos, tentar controlar e modular o autismo tratando a inflamação no tecido."

Em outras palavras, trate agora, antes q a cúpula da ciência chegue a um veredicto final, o q pode levar décadas ainda.
Isto é o q Erin e seu marido, Michael, fizeram por Brendam e Kyle: Eles misturaram tratamentos indicados como fono e T.O. com as melhores abordagens biomédicas disponíveis. "Me falaram p/ eu levar meus filhos de volta pra casa e amá-los", relembra Erin. "O neurologista disse: não perca o seu tempo com tratamentos alternativos, nada sobre eles é provado. Meus filhos poderiam ter terminado institucionalizados, ou meu marido e eu poderíamos ter q cuidar deles pro resto da vida, isso simplesmente não era uma opção".

Os meninos tiveram primeiramente um médico no Colorado, o qual foi treinado por um grupo chamado Derrote o Autismo Agora! (DAN!). DAN! teve como um dos fundadores em 1995 o psicólogo Bernard Rimland, cujo próprio filho era autista. DAN! foca o seu tratamento nas questões intestinais, desentoxicação, nutrição e neuroinflamação. As recomendações incluem restrições alimentares, usualmente eliminando o glúten e a caseína.

Os filhos de Erin se beneficiaram com o seu médicos DAN, mas foi em 2003, quando ela mudou para uma biologista molecular e naturopata mt inconvencional, sediada no Maine, Amy Yasko, q ela começou a ver mudanças mais significativas. Yasko mistura as novas descobertas da metilação com um background científico e mt apurado dos ciclos de desentoxicação do organismo. Contudo, ela é a favor das ervas, mudanças dietéticas e suplementos nutricionais em detrimento de prescrição médica. Ela monitora os biomarcadores de desintoxicação na urina a cada semana ou duas e pontifica os suplementos de acordo.

Seu programa é intensivo e baseado na biologia molecular; suas conferências duas vzs ao ano são concorridíssimas, científicas e q pretendem ajudar aos pais ficando semiprofissionais em biologia e química por eles próprios. Está a milhares de anos-luz do modelo convencional paciente-médico, Yasko trabalha prioritariamente na internet agora, com consultores telefônicos para interpretar os resultados dos exames. Ela decidiu fazer isso quando sua fila de espera alcançou os 5 anos e ela achava q não estava ajudando crianças o suficiente.

" Eu chamo essa abordagem de nutrigenômico biomolecular, depois de Bruce Ames, um professor de bioquimica e biologia molecular da Universidade Berkeley da Califórnia", diz Yasko. " Ele disse q um dia seria normal diagnosticar as pessoas através dos polimorfismos e q as intervenções nutricionais p/ melhorar a saúde, seria o maior avanço da área genômica de todos os tempos". Yasko examina os polimorfismos do ciclo da metilação , mesmo esses achados ainda estando em estudos. Isto tem provocado controvérsia em seu meio. Embora mts médicos e cientistas com crianças autistas admitirem anonimamente q usam os serviços dela.

Yasko parece imune a toda essa controvérsia. " Eu estive envolvida com pesquisa durante um longo tempo, onde vc tem q publicar tudo. Depois eu fui p/ a área biotécnica por mais um longo tempo, onde vc tem q manter tudo em segredo. Quando eu começei a focar em crianças autistas, eu tomei uma decisão q ao invés de publicar meus trabalhos em jornais científicos consagrados, eu iria direcionar meu trabalho diretamente p/ as mães e ajudá-las. Eu sabia q ao tomar essa decisão eu poderia ser crucificada. Está tudo bem. É como se eu estivesse naqueles momentos de suspense q vc vê nos filmes, onde vc tem q pular. Vc não sabe se tem água lá em baixo, ou se terá fôlego suficiente p/ chegar ao outro lado, vc simplesmente pula."

Será q podemos trazer um corpo combalido e um cérebro danificado de volta ao normal? E se pudermos, será q o autismo nos trará novos insights p/ outras desordens? Martha Herbert acha q sim: " mts desses ciclos metabólicos são fundamentais p/ a vida. Se nós pudermos montar o quebra-cabeças do autismo e estarmos bem certos de como fizemos isso, isso poderá trazer grds implicações para outras doenças sistêmicas-ambientais-crônicas. O autismo pode ter sido um alerta p/ nós todos".

FIM
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